Quando me perguntam por que não me aproximo é como se me acusassem de indiferença. Mal sabem que a distância que preservo é fundamental para minha própria sobrevivência. Eu ainda não entendi e quero que o mundo entenda. Não sou escritora, nem jornalista, nem empresária. Mora em mim vários eus. Sou artista, sou personagens multifacetados no palco da vida. Eu tento chorar, mas não consigo. Minha vida é a pura comédia grega, mas vazia de homens. E eu rio, por que se começo a chorar, não terei lágrima para dar continuidade. Em respeito a todos os meus problemas, em nome do tratamento igual que devo dar a eles, se não terei lágrima para um, o outro não terá lágrima também. Assim permaneço com a famosa cara de tacho observando o horizonte. Vêm muitos porquês e me limito a pensar neles. Se não encontro explicação razoável, coloco na gaveta para pensar depois. E que venha o próximo.
Precisava estudar agora, ler, correr atrás de um conhecimento que muitos na minha idade já têm e se honram. Não é meu caso. Eu desconheço e se conhecesse não seria motivo de orgulho. Esse está me deixando bem rapidamente, a ponto deu dar passagem para aquele que vai roubar minha vaga - e rouba meu trabalho e, por consequência, rouba meu estresse. Ah, sendo assim, pode ficar!
Conhecer. Tão triste saber de algo que não interessa. É como colocar no armário a trolha que te atrapalha a chegar no perfume. Na essência. Naquilo que te faz acordar mais cedo a todo o vapor e dizer que mais um dia vale realmente a pena.
Provas. E a gente passa a vida provando nossa ignorância. Prove que sabe! Eu sei, olha a nota que tirei. Xinguei todos ontem, aqueles putos da minha família, mas tirei 10. Sou o que o mundo espera de mim, o que eu espero de mim. Eu tenho, eu sou, eu sei. E o que realmente vale, o sentimento profundo de satisfação com você mesmo, o prazer com as suas pequenas coisas, o respeito calado, o trabalho suado por baixo do pano, esse, ninguém vai ver e dizer "parabéns".
Para quem escolhe o bem do lugar em que vive e a propagação da felicidade há pouco reconhecimento no mundo. Mas como os trabalhadores da seara do bem são voltados mais para o espiritual, o verdadeiro, o sagrado, não há problemas. Existem apenas diferentes pontos de vista. Eis o meu.
sábado, novembro 28, 2009
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