sábado, maio 28, 2011
Só depois eu entendi
Só depois eu entendi que o livro começava com uma vírgula e terminava com dois pontos: Aquilo era só um pedacinho da vida. A gente tinha a eternidade antes e depois.
quarta-feira, maio 25, 2011
Lady versão Ana Claudia. O antes e o depois.
Meu eu: Ainda há aqui uma mancha!
Meu novo eu: Ah, já saiu a mancha! Que maravilha!
Meu eu: Sai mancha maldita, sai, estou dizendo!
Meu novo eu: Viva, viva, viva. A mancha sumiu. Lero lero lero...
Meu eu: 1, 2...
Meu novo eu: 3, 4...
Meu eu: Ora, mas então é este o momento de se fazer a coisa!
Meu novo eu: Tenho mais nada pra fazer. ,Tá tudo certo! Yeap!
Meu eu: O inferno é tão escuro!
Meu novo eu: Vou acender uma vela se o inferno chegar.
Meu eu: Que vergonha, senhor meu marido, que vergonha! Um soldado e com medo?
Meu novo eu: Seu mole, resolve logo, senão arrumo outro, mais macho que você.
Meu eu: E haveríamos de ter medo do quê?
Meu novo eu: Medo? Só de barata voadora.
Meu eu: Quem é que vai saber, quando ninguém tem o poder de obrigar-nos a contar como chegamos ao poder?
Meu novo eu: Deixe que saibam... bando de teto de vidro! Fariam tudo igual. Depois a gente faz um churrasco e fica tudo certo.
Meu eu: E ainda assim, quem poderia adivinhar que o velho teria tanto sangue dentro das veias?
Meu novo eu: E quem poderia adivinhar que o velho daria tanto sangue pra véia?
Meu eu: O Barão de Fife era casado. Onde estará agora a esposa dele?
Meu novo eu: Sabia que ainda era possível casar! Dê um kit maquiagem para a mulher do Barão de Fife, people! E um Black Label pra ele!
Meu eu: Mas será que essas mãos não estarão jamais limpas?
Meu novo eu: Ah, que banho gostoso...
Meu eu: Basta, senhor meu marido. Pões tudo a perder com esses teus sobressaltos.
Meu novo eu: Filho, se resolve. Ficar aí com cara pálida não dá. Vou tomar uma e já volto!
Meu eu: Aqui está, ainda agora, este fedor de sangue. Nem todos os perfumes das Arábias conseguirão perfumar essa mãozinha.
Meu novo eu: Nossa, que cheiro bom. Adorei essa fragrância nova do Contém1grama.
Meu eu: Lava tua mão, veste teu camisolão! Não te apresentes com o rosto tão pálido!
Meu novo eu: Lava tua mão, veste teu camisolão! Ah, melhor! Tira o camisolão!
Meu eu: Estou te dizendo, uma vez mais. Banquo está morto e enterrado. Ele não tem como sair da cova.
Meu novo eu: Estou falando faz tempo, criatura. Relaxa que os mortos estão no plano deles. Já não te falei do churrasco? Então! Depois fica tudo bem...
Meu eu: Para a cama! Para a cama! Vem, vem, vem de uma vez. Dá-me tua mão. O que está feito, feito está, e não tem volta.
Meu novo eu: Idem
Meu eu: Para a cama! Para a cama! Para a cama!
Meu novo eu: Para a cama! Já!
(Graças a Deus nunca vamos perder o bom humor!)
domingo, maio 22, 2011
O último voo do Flamingo
terça-feira, maio 17, 2011
Nelson Rodrigues 2
O salário mudou tudo. Duzentos mil-réis no fim do mês. De um momento para outro, voltavam em mim os sentimentos antigos do homem. Aí aprenderia, como já disse, que o Raskolnikov exige um salário. (Ma-ra-vi-lho-so!) O ódio que leva um sujeito a matar uma usurária, ou a dinamitar um czar, precisa de um ordenado. Mesmo o homicida sexual tem que ser um remunerado. Ou então não chega nem ao desejo. (Um Raskolnikov desempregado convence menos).
Eis o que eu queria dizer e não encontrava palavras: - durante meu desemprego e, portanto, durante a fome total, não desejei ninguém. Não pensava em mulher. De vem em quando, procuro me lembrar se, naquela fase, em algum momento daquela fase, quis alguma mulher. Não me lembro de nenhuma figura feminina, nenhuma, nenhuma. Só me lembro da minha castidade.
E agora, o sexo, a luta de classes, o amor, o ódio, a inveja, os pecados capitais ou subsidiários trabalhavam novamente a minha carne e a minha alma. E repito: - fui, por muito tempo, uma espécie de Raskolnikov de Roberto Marinho. Odiei a sua casa, as suas varandas, os seus automóveis, os seus ternos, os seus cristais. (p.117)
A menina sem estrela - Memórias
É... precisa-se de um mínimo de dignidade para ser indigno.
Nelson Rodrigues 1
Falando sobre...
Três anos depois descobri o teatro. De repente, descobri o teatro. Fui ver, com uns outros, um vaudeville.Durante os três atos, houve, ali, uma loucura de gargalhadas. Só um espectador não ria: - eu. Depois da morte de Roberto, aprendera a quase não rir; o meu próprio riso me feria e me envergonhava. E, no teatro, para não rir, eu comecei a pensar em Roberto e na nudez violada da autópsia. Mas, no segundo ato, eu já achava que ninguém deve rir no teatro. Liguei as duas coisas: - teatro e martírio, teatro e desespero. No terceiro ato, ou no intervalo do segundo para o último, eu imaginei uma igreja. De repente, em tal igreja, o padre começa a engolir espadas, os coroinhas a plantar bananeiras, os santos a equilibrar laranjas no nariz como focas amestradas. Ao sair do vaudeville, eu levava comigo todo um projeto dramático definido. Acabava de tocar o mistério profundíssimo do teatro. Eis a verdade súbita que descobrira: - a peça para rir, com essa destinação específica, é tão obscena e idiota como o seria uma missa cômica. (p.95)
A menina sem estrela - Memórias
segunda-feira, maio 16, 2011
Viciação no sexo
Renúncia, abnegação, continência sexual e disciplina emotiva não representam meros preceitos de feição religiosa. São providências de teor científico, para enriquecimento efetivo da personalidade.
(...)
- Entende, agora, como é importante renunciar? Percebe a grandeza da lei de elevação pelo sacrifício? A sangria estimula a produção de células vitais, na medula óssea; a poda oferece beleza, novidade e abundância nas árvores. O homem que pratica verdadeiramente o bem, vive no seio de vibrações construtivas e santificantes da gratidão, da felicidade, da alegria. Não é fazer teoria de esperança. É princípio científico, sem cuja explicação, na esfera comum, não se liberta a alma, descentralizada pela viciação nas zonas mais baixas da Natureza.
E porque observasse que as instruções lhe tomavam demasiado tempo, Alexandre concluiu:
- De acordo com as nossas observações, a função da epífise na vida mental é muito importante.
- Sim - considerei -, compreendendo agora a substancialidade de sua influenciação no sexo e entendo igualmente a dolorosa e longa tragédia sexual da Humanidade. Percebo, nitidamente, o porquê dos dramas que se sucedem, ininterruptos, as aflições que parecem nunca chegar ao fim, as ansiedades que esbarram no crime, o cipoal do sofrimento, envolvendo lares e corações...
- E o homem sempre disposto a viciar os centros sagrados de sua personalidade - concluiu Alexandre, solenemente -, sempre inclinado a contrair novos débitos, mas dificilmente decidido a retificar ou pagar.
- Compreendo, compreendo...
E asilando certas dúvidas, exclamei:
- Não seria então mais razoável....
O orientador cortou-me a palavra e esclareceu:
- Já sei o que deseja indagar.
E sorrindo:
- Você pergunta se não seria mais interessante encerrar todas as experiências do sexo, sepultar as possibilidades do renascimento carnal. Semelhante indagação, no entanto, é improcedente. Ninguém deve agir contra a lei. O uso respeitável dos patrimônios da vida, a união enobrecedora, a aproximação digna, constituem o programa de elevação. É, portanto, indispensável distinguir entre harmonia e desequilíbrio, evitando o estacionamento em desfiladeiros fatais.
Pelo espírito de André Luiz
Psicografado por Francisco Cândido Xavier
Está no livro: "Missionários da Luz - A vida no mundo espiritual"
domingo, maio 01, 2011
Confie Sempre
Não percas a tua fé entre as sombras do mundo. Ainda que os teus pés estejam sangrando, segue para a frente, erguendo-a por luz celeste, acima de ti mesmo.
Crê e trabalha.
Esforça-te no bem e espera com paciência. Tudo passa e tudo se renova na terra, mas o que vem do céu permanecerá. De todos os infelizes os mais desditosos são os que perderam a confiança em Deus e em si mesmo, porque o maior infortúnio é sofrer a privação da fé e prosseguir vivendo.
Eleva, pois, o teu olhar e caminha. Luta e serve. Aprende e adianta-te. Brilha a alvorada além da noite.
Hoje, é possível que a tempestade te amarfanhe o coração e te atormente o ideal, aguilhoando-te com a aflição ou ameaçando-te com a morte.
Não te esqueças, porém, de que amanhã será outro dia.
Chico Xavier
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