segunda-feira, dezembro 27, 2010

Trechos de A Peste, de Albert Camus

Fala do Jornalista Rambert:
- É uma estupidez, doutor, compreende. Eu não vim ao mundo para fazer reportagens. Mas talvez tenha vindo ao mundo para viver com uma mulher. Não é a ordem natural das coisas?
(ps: coitado!)


Fala do narrador:
Os que ali viviam até então não puderam deixar de considerar esta medida como uma peça que lhes havia sido pregada especialmente e, em todo o caso, pensavam, por contraste, nos habitantes dos outros bairros como homens livres. Estes, por outro lado, nos seus momentos difíceis, consolavam-se ao imaginar que outros eram ainda menos livres que eles. "Há sempre alguém mais prisioneiro que eu" - era a frase que resumia então a única esperança possível.

domingo, dezembro 26, 2010

A Revolução dos Bixos

1. Qualquer coisa que ande sobre duas pernas é inimigo.
2. O que andar sobre quatro pernas, ou tiver asas, é amigo.
3. Nenhum animal usará roupa.
4. Nenhum animal dormirá em cama (com lençóis).
5. Nenhum animal beberá álcool (em excesso).
6. Nenhum animal matará outro animal, (sem motivo).
7. Todos os animais são iguais, (mas alguns bichos são mais iguais que outros).

"Se alguém se interessar por detalhes de ordem pessoal, posso acrescentar que sou viúvo, tenho um filho de quase três anos de idade, que minha profissão é a de escritor e que desde o início da guerra tenho trabalhado especialmente como jornalista." George Orwell, no prefácio à edição ucraniana, 1947.

"... A liberdade, se é que significa alguma coisa, significa o nosso direito de dizer às pessoas o que não querem ouvir. As pessoas comuns ainda acreditam vagamente nessa doutrina, e agem de acordo com ela. Neste nosso país - ela não é a mesma em todos os países; não era igual na França republicana, e não é a mesma nos Estados Unidos de hoje - , são os liberais que temem a liberdade e os intelectuais que querem jogar lama no intelecto... "
Trecho do prefácio proposto pelo autor à primeira edição inglesa, de 1945. Prefácio que acabou não sendo publicado somente em 1972, em uma apresentação do professor Bernard Crick, chamada "Como o ensaio acabou sendo escrito".

sexta-feira, dezembro 24, 2010

Independência ou tédio

Ainda não fechei o cálculo de quanto preciso para ser feliz
Só tenho o valor das horas do terapeuta
E um material selecionado para inspeção

Sei o que quero, mas me parece tão maravilhoso
Que às vezes me pego só a pensar
E creio ser algo tão grande, tão trabalhoso
Que me afundo na impossibilidade de nunca me ver ali, um dia

Tenho o o quê, mas não o como.

Vontade de voar como nos sonhos
De confiar, como nas mães
De confessar, como aos padres

Ah, e saber que não precisaria ser perfeita, se o mundo assim o fosse!

quarta-feira, dezembro 08, 2010

Thank you, India!

Sorte. Sorte?
Dedicação? Dedicação!
Mulheres? Meninas...

Não ser aquelas que secam
E depois choram, e cospem
Enxarcando um terreno
Onde nada mais nasce.

Ficam loucas com a dança da chuva
Se chove, só há barro.
E do barro nasce a vida?
Opa, acho que não.
Está para nascer o dia em que minha Vênus de Willendorf falará.

sexta-feira, dezembro 03, 2010

Será?

Conta só Contigo

Encontrarmo-nos diante das coisas liberta o espírito. Encontrarmo-nos diante dos homens, de dependemos deles, avilta, e tal acontece, quer esta dependência tenha a forma da submissão, quer a da autoridade.
Porquê estes homens entre mim e a natureza?
Nunca ter de contar com um pensamento desconhecido... (porque, nesse caso, somos abandonados ao acaso).
Remédio: fora dos laços fraternos, tratar os homens como um espectáculo e nunca procurar a amizade. Viver no meio dos homens como no vagão de Saint-Etienne a Puy... Sobretudo nunca permitir-se desejar a amizade. Tudo se paga. Conta só contigo.

Simone Weil, in 'A Gravidade e a Graça'