quinta-feira, setembro 29, 2011

Segue e luta que tem ainda 60 pela frente

Qual o preço da tua liberdade, amigo
Se você não consegue um puto que seja pra alimentar seu sonho
Ou ilusão de uma mudança estrutural
Que pede, na real, mudança de conjuntura?

Te dou a grana que me deram e ela passa
De mão em mão, e você que gosta do fluir, saiba que flui
E segue aí, mas, uma hora, para, e a coisa não anda
Mas você TEM que continuar

É a cagada. Pensa no uno e age pelo todo com o todo
E investe e luta, e se aplica, em si, primeiro
Se a grana acabar, você é a fonte, virá mais
Aí você segue alimentando seu sonho, sua vida

Os projetos, as vontades, seu fogo, sua palha e vai
No meio do podre levando a flor
Que é teu instrumento de glória
Em meio ao pântano que você quer secar.

E dá para carregar a flor sem sujar as mãos.
E não entenda dinheiro como objetivo, é só uma ferramenta.

(É punk, mas é bonito)
(Não é do mal, é só um jeito)

terça-feira, setembro 27, 2011

Funes el Memorioso

"Lo cierto es que vivímos postergando todo lo postergable; tal vez todos sabemos profundamente que somos inmortales y que tarde o temprano, todo hombre hará todas las cosas y sabrá todo."

"Dormir es distraerse del mundo"

"Locke, en el siglo XVII, postuló (y reprobó) un idioma imposible en el que cada cosa individual, cada piedra, cada pájaro y cada rama tuviera un nombre propio; Funes proyectó alguna vez idioma análogo, pero lo desechó por parecerle demasiado general, demasiado ambiguo. En efecto, Funes no solo recordaba cada hoja de cada árbol, de cada monte, sino cada una de las veces que la había percibido o imaginado. Resolvió reducir cada una de sus jornadas pretéritas a unos setenta mil recuerdos, que definiría luego cifras. Lo disuadieron dos consideraciones: la conciencia de que la tarea era interminable, la conciencia de que era inútil. Pensó que en la hora de la muerte no habría acabado aún de clasificar todos los recuerdos de la niñez."

domingo, setembro 25, 2011

E eu, pra onde vou com essa saudade?

Quase todo dia vem na minha cabeça algo da minha infância. É como seu eu visse um filme. A casa em Mirassol, minha mãe no fogão, a gente arrumando os brinquedos. As coisas que passavam na televisão, como os móveis eram altos, o quanto a gente se divertia com cada bobeira. Foi um período maravilhoso, de muitas reflexões. É como seu eu tivesse vivido sabendo que iria acabar, e tivesse aproveitado cada minuto, por isso não queria perder tempo tomando banho ou dormindo. O meu objetivo era fazer graça e ser feliz. As visitas das tias de domingo, as brincadeiras com as primas, nossas coreografias. Ninguém me perguntava o que eu seria quando crescesse e nem as notas dos meus desenhos na escola. Hoje ainda acredito que isso não é o que vai me fazer feliz. Mas eu pergunto: cadê as pessoas? Cadê minhas irmãs? Cadê minha mãe? O domingo em família? As graças, o tio-avó tocando suas modas de viola. Cadê o chá da tarde, o almoço barulhento na mesa grande, a cidade pequena, na casa humilde, mas todo mundo junto, comendo junto, rindo junto. Família é uma coisa sem explicação. E quando chega a hora da gente fazer uma, e se vê gostando de um que não te gosta, e de outro que te admira só como amiga, bate um medo de morrer sozinha, mesmo que isso não traga de volta a vida de antes. O domingo de antes, a rua de antes, as canções de dormir de antes, a mãe de antes. Fica tudo na cabeça, como um filme, com coisas e pessoas que não dá mais pra tocar. Era tudo tão lindo, tão bom, mesmo triste. As festas em casa, a Betânia no rádio, os vizinhos conversando. O quarto escuro, o travesseiro que me abraçava, a porta que precisava ficar aberta por causa do medo do escuro. A sala, com a grande cortina, o caminhão da dengue que queria nos envenenar. O vô no quintal contando as estrelas, e eu brincando de Huck do lado dele. O superman na praia que nunca me devolveu meu baldinho, os bingos que nunca ganhei, a pilha que estourei e me deixou com o braço coçando, a cartela de Ass que quase comi inteira, a catapora que foi curada na bacia, a piscina de saibro, as sacolinhas de surpresa nos aniversários, a bicicleta rosa de cestinha, as pulseirinhas de fio de telefone, a pipoca feita no latão, a abóbora de Halloween na porta do vizinho, a casa mal assombrada da esquina, a fonte de água potável da Dona Quita, o varredor de rua que torcia pro Guarani, o carregador de leite que trazia o latão toda manhã, o moço que vendia pão de bicicleta, a senhora que vendia alface, a outra senhora que vendia sucola por 10 centavos, as porções de batata-frita e coca-cola no bar, as coleções de figurinhas, as brigas com os primos, o gato adotado, o pássaro preto do avô, o trator amarelo e roxo que sumiu, o armário de ferramentas, as coleções de moeda, comer feijão em cima da mesa, trocar fralda da irmã... putz, tanta, tanta, coisa, riscar a rua inteira de tijolo, pular amarelinha, arrancar a tampa do dedão jogando futebol, organizar o campeonato de bétia, comer pitanga na escola, comer jambo na Carol, comer acerola na Dona Quita, ir no centro, orar, e observar e viver como uma criança poderia viver, em um mundo protegido pelos adultos que nos ajudava a alimentar todas essas fantasias. A pena não é ter crescido, é ser sentimental a ponto de não achar sua vida tão legal e interessante quanto era há 10, 15 anos. E pensar que ainda existem 60 anos pela frente... me assusta um pouco. =/

sábado, setembro 24, 2011

Eu sou uma borboleta!

"Energia tem. Falta foco". Ai, que verdade! Mas é a vida! Quantas e quantas possibilidades. Hoje poderia ter sido de infinitas maneiras, e ainda pode terminar de infinitas outras. E ontem? E amanhã? Que gostoso!

Ok, o álcool potencializa as vontades. Vontade de morrer, vontade de amar. E de brigar, dos japas, de dançar, das branquelas. E uma delas quis beber a segunda tequila e a quarta cerveja mesmo já tendo seu mundo rodando a uma velocidade maravilhosamente confortável para o cérebro e o coração. Que gostoso!

Mas o complicado mesmo é esse coração. Ô, bixinho danado. Tá parecendo macaco de galho em galho, querendo provar todas as bananas e se apaixonando por todas elas. Ou uma borboleta... mas não, muito poético e não é o caso! Estilo mais rock and roll.

E no final, baby, foda-se o foco, já que ele tá todo fodido mesmo. O lance é aproveitar a jornada e a música. E o solo da guitarra é tão bom no cérebro que a gente esquece de ligar o rádio. Que gostoso!

Let´s rock, let´s roll, de preferência estilo King Size, Luiz - seja seu nome com s ou com z. E seja você, contador ou construtor! Que gostoso!

terça-feira, setembro 20, 2011

Anjos no Caminho

- Bom te ver aqui!
- Não vá lá, você vai ser assaltada.
- Seu nome está aqui, viu?
- Tô ligando pra saber se está tudo bem.
- Saudades de você.
- Tudo tem seu tempo.
- Não arrume um garoto que só estuda.
- Ele está te sugando, sai disso.
- Fique com Deus!
- Como Santa Luzia.
- Muito muito muito velho
- Luz azul
- Alma vegetariana
- De outra vida.
- Queria que você estivesse sempre aqui.
- Dourada, como um chapéu mexicano
- Muito obrigado por tudo.
- Ajudou sim.
- Vai vingar.
- Confie sempre.
- Tudo o que existe, está certo
- Amén!


domingo, setembro 18, 2011

Como a prefeitura resolve o problema dos moradores em situação de rua

"[Os albergados] vão ficar em um período de seis meses dentro dessa casa, e dentro desses seis meses, vão buscar um trampolim para que ele possa sair para uma condição melhor. Então é feito um acompanhamento também pelo psicólogo e assistentes sociais."

Se ele não consegue arrumar um emprego nesse período de seis meses ele tem que ir embora mesmo assim?

"No nosso caso a gente faz um estudo do caso dele, quais são as possibilidades dele de saída daqui. Então o primeiro passo, vamos estimular, novamente, documento, vamos estimular ele a trabalhar, na questão da área da educação, então é encaminhamentos que vamos dando nesse período. Se ele está tendo uma evolução dentro desse processo, qual o mecanismo de saída dele aqui. Por exemplo, se ele conseguir um emprego, tudo, ele não tem mais necessidade de ficar em um centro de acolhida (...) Quando ele sai, ele vê que já deu um passo, ele já evoluiu.

Mas aí depende da evolução dele, e se ele não evoluir durante esses seis meses?

"Se nesse período de seis meses ele não conseguir existem mais, em torno de 40 centros de acolhida aqui dentro do município, em que nós, vendo a situação dele, então a gente procura que ele seja transferido para outro centro de acolhida em que ele vai ter mais um gás, mais um gás aí de seis meses para ser, é... para ser desenvolvido um outro trabalho em um outro centro."

Entrevista em um albergue.

Ou seja...

ela não resolve. Ela transfere o problema!

quarta-feira, setembro 14, 2011

Belos Olhos

Essa menina tem os olhos da Santa Luzia... Que olhos bonitos você tem, ei, psiu, já viu o olho dessa menina. É lente?, que bonito. Que bonito? Que estranho. Só bêbado e bem mais velho vê coisas assim, em lugares incomuns, em momentos inesperados? Só sei que ele não vê. Nem percebe, nem olha. Tem outros olhos para (ad)mirar.

Bom dia, senhor Marco! Como anda o senhor? Que está na cadeira de rodas eu sei, estou vendo. Mas anda melhor que muita gente aí fora, não é verdade? É verdade... É, dá pra ver.

Bom dia, senhor Cruz! Sei, sim, senhor Cruz! Pintor, o senhor é um homem de talento! Não sei não, senhor Cruz. Deus estava sozinho, porque ele tinha começado a criar, não? Ele e a natureza. Ah, é? Bom saber... Põe a vela aí não senhor Cruz, que pega fogo em tudo. Senta aqui, fica firme e vamos rezar.

Olá, senhor Nilton. Kardecista? Mais um... nossa, a espiritualidade tem trabalhado esses dias, viu. Sozinha, não! Meu anjo da guarda tá comigo, e não tá podendo dormir, não. Estou me metendo em cada uma... Como é? Ah... pode ser... sim. Vai saber. Quando a gente dorme anda por aí. Terceiro, Nilton, kardecista, e de outra vida também.

Ed! Como vai o Índio, o Samuel? Tá frio... E o pernil? O dia que for rolar me fala que posso contribuir com o refrigerante. Ou a conversa... Sei... é carência. É... ainda mais que ele falou que eu sou o número dele... Ai ai, só bêbado pra falar uma coisa assim. Ok, vou tentar. Jura? Meu deus, tô falando, olha a vida como é. Não, mas sinto que rola uma simpatia sim. Que coisa interessante. Ok, muito obrigada, fica com Deus.

Nossa, desculpa, não sabia. Agora já filmei. Mas essa parte eu não te conto. Meu olho está filmando o tempo todo... não tens nem ideia do filme que está sendo feito aqui dentro, na minha cabeça. Eu preservo a imagem das pessoas nele, e eu junto melhor os cacos. O aúdio sempre sai prejudicado, mas a mensagem fica.

E pensar que tudo que existe está certo. Essa, pra mim, é nova, devo confessar. Mas confesso que também consigo entender, olhando de outro ponto de vista, o do alto.

terça-feira, setembro 13, 2011

Tem dias II

Tem dias que a gente tem muita coisa para fazer.
Aí, a gente resolver fazer uma, tchan tchan, LISTA!
Aí, em vez da gente fazer o que tinha que fazer, a gente inventa essa outra coisa para fazer.
E aquilo mesmo que precisava ser feito, fica só anotado.

Tem dias I

Tem dias que a gente torce para acabar logo e chegar a hora de dormir.
Tem dias que a gente não quer que acabe, mas precisa dormir.
Tem dias que a gente dorme sem ver a hora.
Tem dias que a gente dorme com os minutos contados.
Tem dia que a gente deita, mas não consegue dormir.
Tem dia que a gente quer dormir, mas não consegue deitar.
Tem dias que a gente nem dorme.
Tem dias que a gente só dorme.

sábado, setembro 10, 2011

País de miséria

Não adianta afundar a cabeça no travesseiro.
O incômodo tá lá dentro.
E vai contigo pro chuveiro, para a sala, pro fim do mundo.

Tem que resolver, se envolver, é complexo.
É muita gente, caramba!
Olha esse lugar, a quantidade de tudo,
Cama, comida, arroz, feijão e açúcar.
E roupa, e coberta, papel higiênico.

Tem muita merda nesse mundo, mesmo.
Dinheiro tem, caramba!
Olha esse país, a quantidade de tudo,
De imposto, de taxa, de tarifa.
Na cama, na comida, no arroz, no feijão, no açúcar.
Na roupa, na coberta, no papel higiênico.

Cadê isso tudo? Porque e como, meu deus,
Pode sobrar tanto de um lado...
E faltar tanto de outro...

terça-feira, setembro 06, 2011

Como ajuda minha amiga

"Diz-se que, mesmo antes de um rio cair no oceano, ele treme de medo.
Olha para trás, para toda a jornada;
os cumes, as montanhas, o longo caminho sinuoso através das florestas,
através dos povoados, e vê à sua frente um oceano tão vasto que entrar nele
nada mais é do que desaparecer para sempre.

Mas, não há outra maneira.
O rio não pode voltar.
Ninguém pode voltar.
Voltar é impossível na existência.
Você pode apenas ir em frente.

O rio precisa se arriscar e entrar no oceano.
E somente quando ele entra no oceano é que o medo desaparece,
porque apenas então o rio saberá que não se trata de desaparecer, mas tornar-se
Tornar-se oceano.
Valeu Lê!

domingo, setembro 04, 2011

Presente de domingo

Potência invisível que rege os mundos e as vidas, estás, na Tua essência, acima de toda a minha concepção. Que serás Tu, que eu não sei descrever, nem definir, se só o seu reflexo das Tuas obras me enceguece? Que serás Tu, se me assombra a incomensurável complexidade desta emanação Tua, pequenina centelha espiritual que me anima por inteiro? O homem Te segue na ciência, Te invoca na dor, Te bendiz na alegria. Mas, na grandeza da Tua potência, como na bondade do Teu amor, estás sempre além, muito além de todo pensamento humano, acima das formas e da transformação, um lampejo no infinito. (Oswaldo Polidoro)

sábado, setembro 03, 2011

~~me encanta~~

Será por eso que hoy estamos aquí
No hay nadie más que vos y yo.

Hay, mamacita!

Estou me dando no direito

Nossa! Não era para eu estar mal?
Como assim tá tudo bem?
Você já olhou na sua mesa a pilha
Pilha de papéis em que você
Você anota as milhares coisas que
Que precisa fazer?, e a pilha
Pilha de coisas que você quer fazer?

Um dia. Um dia quero realizar
Isso, x, aquilo, y, tudo, z.
E pra agora a atual pilha.
Quanta coisa, muita coisa,
Coisa coisa coisa coisa coisa
Só não se cristaliza a alegria,
de mesmo assim, assim, assim,
estar hoje, atarefada sim, mas
Feliz!

Agradecimentos especiais ao cosmos