Queria ter, primeira e obviamente, vivido para depois fazer o escrever
Tantos líquidos quase me fazem gerar mais um, a lágrima
Tantas coxas, com peles, com pelos, compridos relatos de camas... que pena de mim
Aqui as frases são curtas. Consequência do ofício!
Não significa, por favor, que minhas sinapses não sejam tão complexas como as tais das tais
Só tive a não-sorte de andar em não-lugares, encontrar com não-pessoas e encher-me de ais
O motor é só a exclusividade que queremos, e nunca sabemos se somos mais
Uma figura repetida nos lençóis, nas músicas, nas luzes, naquele quarto, com o garoto
Quantas será que deitaram do mesmo jeito, quantas comeram da mesma comida?
As frases são repetidas? E os poemas? Quantas lindas conseguirei contar?
Ah, o gosto por saber... esqueço-me de quanto é amargo depois da língua
E de como desce meio quadrado em movimentos circulares abrindo as cicatrizes
Desce sangue, sobe sangue... confundo com coisas de mulher, e vinho
Mas é só o coração... mais uma vez... pulsando
(poderosa máquina de nascer e morrer)

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