domingo, agosto 22, 2010

Noturno

Disse tchau fechando a porta sem bater
Suave fingindo o passo a caminhar
Lá fora ficou na parede a encostar as costas frias na parede quente

Derreteu a parede entre a gente
Olhei de volta e estavas outro
Alguém diferente, não mais o de outrora
Se mudastes para melhor, não sei. Mudei. Fez-se silêncio.

Mais alguns dias espera. A linha depois se rompe e volto a te tocar.
As costas podem continuar frias, mas o coração é o que importa.
Mesmo sabendo que você não tem acesso a ele. Talvez enfiando a mão pela garganta.

Olha, sente, vê como pula. Digo que é por você, mas não garanto.
Digo que palpita, mas não sei se é espanto.
Puro medo de não ter, ainda, enfrentado a Mulher-Esqueleto?!

E nesse embate, nesse iglu de nós, nessa selva do Congo, tão verde que fica preta
Meu amor, danço eu dança você.
Bailemos então.

Comprei uma calça xadrez para me esquentar.

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