Dói porque você estava certo de não agir como quer que ajam com você. Isso coloca uma espectativa de retorno. Só tente fazer o certo, o que está escrito, mesmo parecendo torto. No livro se encontra um resumo do manual da vida. E não tem muito segredo. É ser sincero, desapegado, não se atropelar. Vieste de parto normal, não te colocaram no mundo. Você é quem nasceu. Aceitou a prova de voltar e se voltou é porque precisa. O simples fato de ser vivo é um avanço.
Cadê a caderneta com as minhas tarefas? Ela se chama dor. Está em cima do meu armário, dentro da minha gaveta, embaixo da cama. A faxineira está passando. Olha a caderneta aparecendo... E você sabe que precisa abri-la. Ela foi feita para ser apagada. E só se apaga as dores abrindo a caderneta. Abra ela e passe a borracha. Entenda como quiser. Pode ser sangue, pode ser lágrima, contanto o que estiver embaixo suma. Você sabe né, que tem um sangue que escorre mas não dói. Ele lava. O olho incha, para você olhar menos e ver mais. E veja você o tamanho do mundo. São mais de 6 bilhões, uma profusão de gente. Gente a rodo. Imagine quantos malucos, quantos doentes. Vai querer abraçar tudo isso? Não, pare com essa ideia de revolução mundial. Ela é semente a desabrochar em você.
Sai de dentro a mudança. Muda. Sai da toca do coelho mesmo que seu amigo do lado não tenha prestado atenção no movimento e você tenha ficado sem toca. O meio da roda é um lugar muito bom também. Ele parece ser o pior, mas te permite ficar bem abaixo da luz. Expor-se, abrir a caderneta, rezar por nós. Tudo são processos. Deixa estar. Se o chifre chegar, pode até te ajudar a deixar a casa mais bonita e receptiva. Quem sabe até pegue gosto pela coisa e vire colecionador?

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