Reflexões sobre o livro de Herman Hesse
Compreendo que o final seja uma alegoria. O Teatro Mágico é a vida, em que tudo pode acontecer. Há diversas portas que são os diversos caminhos escolhidos e em cada um deles há bônus e ônus. Harry poderia ter escolhido liquidar as máquinas do seu tempo, poderia ter escolhido até mesmo reviver momentos passados com Mozart, pois a nossa mente também é capaz de nos levar a lugares distantes e às suas sensações.
No final reina uma esperança de se jogar melhor da próxima vez e não levar tudo tão a sério. Esse sério é o que tentaram tirar dele o livro todo e não conseguiram. Não, Harry, não entenda o matar Hermínia de forma literal. Esse foi um sério comprometimento feito que, se você conseguisse tirar sarro da vida, não teria cumprido. E ela também não queria morrer e, considerando o teatro mágico como o "mundo das possibilidades", ela não morreu de fato. Estavam todos querendo aprender a viver nesse treino.
A vida é complexa. Tem coisas que pairam acima de nós que não temos o poder completo de mudar, como as músicas que tocam nas rádios e as guerras que começaram sem nosso consentimento. Há também os relacionamentos amorosos, em que é necessário mais do que tudo, confiar. E há a parte mais fácil de mudar e mais difícil de tocar, que é nosso interno.
Se soubéssemos nos respeitar e vermos que também somos mutáveis. Se conseguíssemos nos perdoar por uma falha, nos entendermos como pessoas reservadas. Se nos permitíssemos a não gostar de certas coisas que poucos não gostam... e se pudéssemos defender nosso ponto, de forma tranquila, sabendo que um dia podemos mudar...
Um dia poderemos ser a favor de certas guerras, de todas as guerras, de toda uma grande estranheza que hoje é estranha e amanhã pode não mais ser.
Achou que deu errado? Que tenha a chance de ainda nessa vida recomeçar outro jogo. Caso contrário, acredite na reencarnação e se empenhe para melhorar em um novo tempo.
Sorte!
domingo, janeiro 01, 2012
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